Festival Impacto

O Open Call de New Media Art “Retrato Digital: Unmasking Deepfakes” integra a programação da 2. ª edição do Festival Impacto, dedicada ao tema Ética, e afirma-se como um exercício de experimentação crítica sobre identidade, tecnologia e verdade na era pós-digital..

Missão

Num contexto em que com a inteligência artificial são redefinidas as fronteiras entre o real e o construído, este open call propõe uma investigação artística sobre o retrato enquanto território simbólico. Do retoque subtil à encenação elaborada, até ao campo provocador dos deepfakes, convidamos criadores a questionar não apenas a imagem, mas a própria noção de autenticidade. Ao integrar este concurso na programação do festival, assumimos que a ética contemporânea passa também pela tecnologia. Pela forma como criamos, alteramos e consumimos imagens. Pela forma como através da inteligência artificial participamos na construção da realidade e na erosão, ou reinvenção da confiança pública.

PRÉMIO PARA A MELHOR IMAGEM OU INSTALAÇÃO VÍDEO | EXPOSIÇÃO DURANTE O FESTIVAL IMPACTO | EXPOSIÇÃO ITINERANTE

EM 2027

ENQUADRAMENTO E TEMA

A manipulação visual deixou de ser apenas recurso artístico. Pode ser instrumento de propaganda, desinformação e engenharia emocional. Deepfakes e retratos sintéticos podem distorcer acontecimentos, fabricar declarações, destruir reputações ou amplificar narrativas ideológicas. A imagem deixa de documentar, passa a performar poder. Mas este território não é unívoco. A mesma tecnologia que manipula pode emancipar. Pode permitir a criação de identidades plurais, a experimentação estética, a expressão de subjetividades marginalizadas. Pode questionar normas fixas de representação e abrir espaço a novas formas de auto inscrição. Este open call posiciona-se nesse campo de tensão.

RETRATO DIGITAL: UNMASKING DEEPFAKES

Este open call é um convite a todos os artistas digitais, designers e criadores que desejem explorar criticamente a inteligência artificial não apenas como ferramenta, mas como campo ético. Interessa-nos trabalhos que exponham a ambiguidade deste momento histórico. Que revelem como a imagem pode ser simultaneamente espaço de expressão e arma simbólica.

MANIFESTO DO CURADOR

Num tempo em que a imagem deixou de ser prova para se tornar suspeita, o retrato digital significa neste contexto um lugar interventivo onde questionamos a nossa relação com a manipulação da imagem. A minha leitura crítica deste tema recusa tanto a demonização da tecnologia como a euforia ingénua. Entendo a Inteligência Artificial não como uma rutura, mas como uma continuidade histórica da imagem técnica, uma fascinante ferramenta a ser usada pelos humanos; contudo, a sua natureza de “caixa negra” e a opacidade dos seus algoritmos exigem uma vigilância ativa, de modo a desmascarar a produção do engano como uma técnica e um ato antiético que corrói a confiança.
Neste cenário, as responsabilidades éticas agudizam-se: não procuramos fixar uma verdade estática, mas sim proteger e incentivar a legitimidade de uma identidade líquida e até no limite performativa. A verdade do sujeito reside muitas vezes na sua própria multiplicidade e nas máscaras que escolhe habitar; o nosso dever é garantir que essa fragmentação seja um ato de liberdade consciente e não uma imposição algorítmica.

Para avaliar as obras a concurso, propus a constituição de um júri transdisciplinar, cruzando artistas digitais, filósofos, especialistas em comunicação e tecnólogos, admitindo que o lugar que os une esteja no universo da estética. Esta diversidade foi pensada para garantir a independência crítica e múltiplas perspetivas, assegurando que nenhuma obra seja julgada apenas pelo seu fascínio visual ou por alguma complexidade ou solução específica.
Na minha orientação aos jurados propus que a sofisticação técnica é obrigatória, mas insuficiente se permanecer vazia de conteúdo. Procuramos obras onde a execução visual esteja indissociavelmente ligada a uma narrativa coerente que a suporte, tal como expressa na memória descritiva. A verdadeira virtuosidade aqui não reside apenas na perfeição e ilusionismo da imagem, mas na capacidade de usar a técnica para complexificar a representação do retrato e sua identidade de forma e refletir eticamente sobre as múltiplas personas que hoje habitamos.
Este prémio não serve para celebrar a máquina nem o algoritmo, mas sim para afirmar a supremacia da intenção humana sobre a automação. Que estas obras funcionem como um ato de resistência e clareza num ecossistema saturado e maquinal. Repensem a ferramenta, desafiem a opacidade, reflitam sobre o significado de identidade e momento.

Rui Lança

Rui Lança, residente em Lisboa é designer, professor universitário e mestre em artes tecnológicas. Foi diretor de arte em vários momentos da sua carreira na publicidade. Inicia a sua experiência na computação gráfica em 1990. Desde essa data tanto como consultor como formador sempre relacionou a criatividade e a tecnologia.
No presente é professor, coordenador de cursos na área de multimédia e gere projetos nas áreas das indústrias criativas, desde o design e comunicação gráfica até à virtual e aumentada. Com uma carreira enraizada no design e na narrativa visual, teve o privilégio de testemunhar e contribuir para a revolução digital em Portugal desde os primeiros momentos em que a tecnologia começou a entrelaçar-se com a criação de imagens. Esta viagem no tempo não só alimentou a sua paixão pela evolução tecnológica nas narrativas visuais, mas também o posicionou como um entusiasta dedicado à expansão e ao enriquecimento da comunicação visual. Para Rui Lança, enquanto Curador do Prémio AI Generated Image Festival Impacto, este festival representa uma oportunidade emocionante para demonstrar como o engenho e a criatividade, auxiliados pela tecnologia, podem criar novos caminhos para a expressão visual contar histórias a um nível profundamente humano.

Ricardo Sales é designer e professor com mais de quatro décadas de experiência nas áreas de design, publicidade e multimédia. Formado em Design de Equipamento Geral pelo IADE (1982), iniciou o seu percurso profissional na Publicis, seguindo-se colaborações com o Atelier Soares Rocha, EPG (posteriormente TBWA/EPG), Lintas, Timming Alliance e Bozell Sensus, onde consolidou o seu trabalho como Art Director. Em 1990, cofundou a Pixel & Tintas, a primeira empresa em Portugal a desenvolver projetos criativos de publicidade e design com recurso a computadores, marcando o início da sua relação com as tecnologias digitais. Mais tarde, integrou a Siemens (1999) no recém-criado departamento de multimédia, onde participou na produção de CBT (Computer- Based Training), os primeiros cursos de formação em CD-ROM da empresa e aprofundou as suas competências em comunicação digital e multimédia. Seguiram-se colaborações com a Impala, onde desenvolveu CDs interativos, e com a Best Golf, no projeto pioneiro do primeiro canal mundial de corporate TV em campos de golfe, experiência que o levou depois à Mobbit Systems, onde trabalhou em sinalética digital, TV corporativa e Web TV, incluindo o lançamento do canal Web TV do Jornal Económico em São Paulo. Desde 2011, trabalha como freelancer, desenvolvendo projetos de UI/UX design para web e aplicações móveis, branding, publicidade e comunicação digital. Paralelamente, é docente de Design de UI/UX na ETIC/EPI desde 2013, onde partilha a sua vasta experiência entre o design e a tecnologia.

Maribel Mendes Sobreira é arquitecta e filósofa com uma prática interdisciplinar que inclui a escrita ensaística, a docência, a investigação e curadoria expandida. Combina a filosofia, arquitectura e a reflexão cultural no seu trabalho. Mestre em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, prepara a sua dissertação de doutoramento em Filosofia na mesma faculdade. A sua investigação foca-se no conceito de espaço e no seu impacto na subjectividade, adoptando uma abordagem crítica interseccional às questões contemporâneas. É membro em formação do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (CFUL); da ISPA (International Society for the Philosophy of Architecture) e ESA (The European Society for Aesthetics). Paralelamente à sua vida académica vem contribuindo para discussões sobre cultura visual, teoria queer, feminismo e antirracismo. Como curadora e activista cultural, é co- fundadora do ColectivoFACA, um projecto que alia práticas curatoriais à cidadania activa. O seu trabalho questiona as dinâmicas de poder na percepção, desafiando-nos a reconsiderar o espaço, a cultura e a identidade. Tem publicado vários ensaios e participa regularmente em debates públicos sobre temas actuais. É autora de vários ensaios, destacando-se “The Art of Feminist-Queering the Museum: Gate-leaking” (2021), “Questioning the Question” (2022), e “Unlearn the System” (2023), “Acreditar no mundo é o que mais nos falta. Notas para sobreviver ao naufrágio (2025)”. A sua prática reflete um compromisso com a transformação das estruturas culturais e sociais através do pensamento crítico e da acção.

Victor Magano é motion designer que funde inteligência artificial e cultura visual, criando animações inovadoras explorando novas possibilidades estéticas e interativas. Destaca-se pelo entendimento técnico sobre efeitos visuais, explora novas formas de storytelling digital, sempre na interseção entre arte e tecnologia. A sua paixão pela inovação tecnológica posiciona-o na vanguarda de projetos que unem design, tecnologia e inovação e destaca-se pelo entendimento técnico sobre efeitos visuais.

Le_Brimet “Afronauta” futurista, Director Criativo multidisciplinar português, nascido em São Tomé e Príncipe. A sua abordagem criativa abraça o conceito ArtCreTech, uma simbiose entre Arte, Criatividade e Tecnologia. Define-se como um Designer Computacional (Re)Generativo com um pensamento holístico e exploratório. Opera em ambientes ” phygital ” – entre o digital e o analógico. Nos últimos 10 anos conquistou reconhecimento e prémios internacionais. Foi recentemente destacado pela revista FRAME, como ” Ones to watch “. – uma distinção que destaca os criativos digitais mais proeminentes à escala global. Apresenta regularmente o seu trabalho nos maiores eventos e feiras de design do mundo. É fundador e director criativo da [ SPECTROOM ] , um atelier de arquitectura e design que desenvolve projectos em diversas áreas: design de produto, instalaçõesartísticas, arquitectura e pesquisa digital. A [ SPECTROOM ]está focada em implementar novas tecnologias na produção de formas e espaços, explorando combinações estratégicas entre processos (Re)generativos (design computacional), sustentabilidade e tecnologias de fabricação digital (impressão 3D, CNC e robótica). O objetivo é explorar o potencial das ferramentas digitais como catalisadores de processos criativos, transformando píxeis em átomos e protocolos virtuais em objectos tangíveis e ambientes físicos.

Jorge Teixeira é um líder criativo com mais de 20 anos de experiência a ajudar marcas a destacarem-se e a criarem ligação com as pessoas. Ao longo da sua carreira desempenhou funções de líder criativo em algumas das mais prestigiadas redes mundiais de publicidade, incluindo BBDO, Y&R, DDB e Euro RSCG, em Portugal, Havas e Isobar no Brasil e AKQA e Ogilvy ena Alemanha. Nestes contextos, liderou campanhas que cruzam pensamento estratégico, storytelling e inovação digital, sempre orientadas para gerar impacto cultural e resultados de negócio.
O seu percurso internacional estende-se ainda em mercados como Nova Iorque, Silicon Valley, Londres, Paris, Madrid, Luanda e Pequim, com projetos aí desenvolvidos e uma experiência multicultural que reforça a sua capacidade de adaptação e antecipação. Até à data já ganhou mais de 200 prémios internacionais, incluindo Cannes Lions, Clio, e New York Festivals.
Hoje é diretor criativo da consultora de comunicação LPM, com responsabilidades diretas na assimilação e desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial em todos os domínios da comunicação.

PROCESSO DE SELEÇÃO

Todas as obras recebidas são avaliadas através de quatro elementos decisivos. Factores técnicos, factores de composição, factores emocionais e factores narrativos. Terminado o período de pré-selecção, as imagens finalistas serão novamente analisadas, para a seleção final pelos jurados. Será enviado um e-mail a todos os participantes selecionados, informando-os do resultado da sua apresentação.

CONDIÇÕES E LICENÇAS

Todos os participantes no open call, assumem que as imagens e os projectos apresentados são da sua autoria e que não houve qualquer violação dos direitos de autor. A COFI não se responsabiliza por qualquer violação de direitos que possa surgir durante o processo de seleção e posterior exibição de qualquer imagem. O participante é responsável por obter, antes da apresentação da obra, todas e quaisquer autorizações e consentimentos necessários para permitir a exposição e utilização da fotografia. Os projectos serão avaliados por um júri profissional e relevante no domínio do tema, sem qualquer tipo de influência e sem dados do autor. A decisão do júri não será suscetível de recurso e terá carácter definitivo.

DIREITOS DE AUTOR E UTILIZAÇÃO

Os direitos de autor das obras pertencem exclusivamente e em qualquer altura ao autor. As obras serão utilizadas estritamente em relação ao Festival Impacto. É concedido à COFI, seus parceiros e patrocinadores o direito de publicar e exibir as obras selecionadas e posterior promoção nas suas redes sociais, salvaguardando sempre a autoria e os direitos de autor.

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