Festival Impacto

O Open Call de Fotografia “The Invisible Price Tag” integra a programação da 2.ª edição do Festival Impacto, dedicada ao tema Ética, e afirma-se como um espaço onde a imagem se transforma em pergunta e onde o acto de ver pode tornar-se um primeiro gesto de responsabilidade.

Missão

O Open Call de Fotografia do Festival Impacto nasce da convicção de que a imagem pode revelar aquilo que o discurso económico tende a ocultar. Através da fotografia enquanto linguagem crítica e documental, este prémio propõe tornar visível o que permanece fora do enquadramento: as cadeias de produção, os impactos ambientais, as desigualdades estruturais e as responsabilidades difusas que sustentam o consumo contemporâneo. Num mundo onde o apelo ao consumo molda a vida moderna, importa perguntar: a que custo?

PRÉMIO PARA A MELHOR FOTOGRAFIA | PUBLICAÇÃO NO ÁLBUM FESTIVAL IMPACTO E NOS MEDIA PARTNER | EXPOSIÇÃO DURANTE O FESTIVAL IMPACTO | EXPOSIÇÃO ITINERANTE EM 2027

ENQUADRAMENTO E TEMA

Da moda rápida ao desperdício alimentar, da extração intensiva de recursos à exploração laboral, cada produto transporta uma história invisível, uma rede complexa de decisões, interesses e consequências que ultrapassa largamente o momento da compra.

CONSUMO E CONSEQUÊNCIAS “THE INVISIBLE PRICE TAG”

Este open call convida artistas, fotógrafos, fotojornalistas e storytellers visuais a investigar e representar os dilemas éticos associados ao consumo global. Procuram-se projetos que ultrapassem a superfície estética e revelem as camadas ocultas do “preço” (social, ambiental, cultural e humano) que raramente figura na etiqueta.

MANIFESTO DA CURADORA

Vivemos num tempo em que consumir é quase automático e incentivado. Compramos com um clique, descartamos com a mesma velocidade. O sistema foi desenhado para reduzir o intervalo entre a necessidade, o desejo e a posse e nesse intervalo perdeu-se algo essencial: a consciência. “The Invisible Price Tag” nasce dessa urgência de reabrir espaço entre o impulso e a decisão. Cada objeto que atravessa as nossas mãos carrega uma história que não vemos. Uma cadeia de produção que não acompanhamos. Um território que talvez nunca visitaremos. Um corpo que trabalhou. Um recurso que foi extraído. Um ecossistema que foi alterado. O preço visível é apenas a superfície.

A fotografia tem a capacidade de revelar estruturas invisíveis: padrões de desigualdade, ritmos de produção, sistemas de exploração, formas subtis de condicionamento. Uma imagem pode tornar visível o que o discurso económico neutraliza. Enquanto curadora, não me interessa apenas a denúncia. Interessa-me a complexidade. Interessa-me a pergunta que permanece depois da imagem. Interessa-me o desconforto que não se resolve em segundos… e a consequência dessa realidade no individual e no colectivo. E como o consumo não é apenas uma questão económica. É cultural, política, ambiental, simbólica. É linguagem, é identidade, é poder. Seria incoerente abordar um fenómeno tão complexo a partir de um único prisma. Procurei, por isso, um painel de jurados com percursos distintos, arte, ciência, literatura, pensamento crítico, inovação, capazes de avaliar as imagens de forma complementar e, se necessário, divergente. Não quero apenas avaliar qualidade técnica. Quero pensamento. Quero densidade. Quero debate.

Este open call não pretende oferecer respostas fechadas. Pretende criar fricção. Pretende devolver espessura ao acto de consumir.

Ana Isa Guerreiro

Ana Isa Guerreiro é licenciada em Design pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa e estudou Desenho na Faculdade de Belas-Artes, na Sociedade Nacional de Belas-Artes e no Ar.Co. Trabalhou durante sete anos no grupo editorial Edimoda, onde desenvolveu atividade como produtora e jornalista nas publicações Máxima, GQ e Vogue. Na área da produção cultural, produziu o WIP Galerias Garrett e co-produziu o Desenha 12, projetos que promoveram o diálogo entre arte, desenho e comunidade, envolvendo uma ampla rede de autores, instituições e públicos. Em 2022 integrou a equipa de produção do TEDxLisboa, reforçando a sua missão de criar eventos que inspirem reflexão e transformação social. Em 2023 fundou o Festival Impacto, do qual é responsável pelo conceito, direção artística e produção geral. É atualmente Presidente da Comissão Organizadora do Festival Impacto.

Gonçalo Negrão é diretor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Piaget, em Almada, onde reside. A paixão por livros levou-o a ser livreiro enquanto estudava. Depois começou a carreira na inovação e transformação digital, passando pela Galp Energia e no Setor Público. Depois, em empresas de consultoria realizou projetos nos PALOP, Brasil, Jordânia, Tunísia, Chipre, EUA e Austrália, com foco na transição digital e ecossistemas de start-ups. Especialista em inovação para a OCDE e Comissão Europeia, Gonçalo é licenciado em Gestão, tem uma Pós-Graduação em eBusiness, um MBA em Logística, um Executive MBA em Criatividade e Inovação e uma Pós-Graduação em Compras e Inovação pela Wien Business School. Atualmente, está a finalizar o doutoramento sobre “Solidão e Ressonância Digital” na FLUL, onde reencontrou a “utilidade” da sua paixão pela literatura. Entre o ensino de e paixão pela escrita e poesia, gosta de explorar o papel da Inteligência Artificial na intermediação com o mundo.

Mia Couto é escritor, biólogo e uma das vozes literárias mais relevantes da língua portuguesa. Iniciou-se na poesia ainda adolescente e, após estudos em medicina, dedicou-se ao jornalismo no período pós-independência de Moçambique, tendo dirigido importantes órgãos de comunicação social. Mais tarde formou-se em Biologia, especializando-se em Ecologia, área em que é professor universitário e investigador, com trabalho relevante na gestão ambiental e conservação da natureza. Autor de uma obra marcada por uma linguagem singular, rica em neologismos e imaginação poética, Mia Couto explora a relação profunda entre o ser humano, a terra e a memória coletiva. É o escritor moçambicano mais traduzido internacionalmente, com obras publicadas em mais de 20 países, várias delas adaptadas ao teatro e ao cinema. Foi amplamente distinguido com prémios nacionais e internacionais ao longo da sua carreira.

Susana Paiva reside e trabalha em Lisboa. Criadora, curadora, editora, educadora, performer e produtora de projectos e eventos na área das Artes Visuais. Trabalha como fotógrafa, no campo das Artes Performativas, desde 1989. Coordenadora, desde 2012, do projecto Escola Informal de Fotografia, um projecto educativo de longa duração para criadores na área da fotografia. Apresentação do projecto performativo “Anatomia de uma imagem [uma instalação habitada]” no âmbito do Festival CITEMOR 2019, Montemor-o-Velho, Portugal. Coordenadora, entre 2019-2023, da equipa de fotografia do projecto “CORPO EM CADEIA”, da Companhia Olga Roriz, uma iniciativa PARTIS / FCGulbenkian. Curadora da exposição “Atlas CITEMOR” apresentada no Museu Nacional do Teatro e Dança, de Maio a Novembro 2024, em Lisboa. Em 2025 concluiu o 33º Curso de Gestão e Produção das Artes do Espectáculo da Forum Dança e frequentou acções de formação, sobre estética, inclusão, neurodivergência, mediação e programação e mediação inclusiva.

João Pontes é biólogo marinho e fotógrafo/videógrafo de vida selvagem, natural de Lisboa, com especial interesse em ecossistemas marinhos e macrofotografia. O seu trabalho fotográfico tem sido distinguido com vários prémios nacionais e internacionais, tendo sido nomeado Young Ocean Photographer of the Year 2024 Runner-up pela Oceanographic Magazine. Licenciou-se em Biologia pela Universidade de Lisboa em 2022 e obteve o grau de mestre em Biologia Marinha pela Universidade do Algarve em 2025. Desenvolveu o seu trabalho de investigação em Kāneʻohe Bay, Hawai, em parceria com a Universidade do Hawai, com quem continua a estudar o impacto de esponjas marinhas invasoras na baía. Paralelamente à investigação científica, é guia de mergulho e utiliza a fotografia e o vídeo como ferramentas de divulgação científica, procurando revelar padrões, relações e analogias na natureza. É ainda responsável pela imagem e comunicação visual do grupo de investigação de mar profundo dos Açores do Instituto Okeanos. Atualmente trabalha como freelancer em vídeo e fotografia, tendo colaborado, entre outras entidades, com a Fundação Oceano Azul. Encontra-se neste momento a desenvolver um documentário sobre o maior recife natural de Portugal, no Algarve, em parceria com a associação BioReefAP, da qual faz parte.

António de Sousa Dias Compositor, artista multimédia, performer e investigador, é doutorado em Estética, Ciências e Tecnologias das Artes, Professor Associado com agregação na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Autor de obras explorando diversos géneros (instrumental, eletroacústico, misto), música para cinema e audiovisuais (ficção, documentário, animação), performance, teatro musical e cruzamentos disciplinares. No seu percurso, o multimédia, a instalação e a criação visual também desempenham um papel importante.

PROCESSO DE SELEÇÃO

Todas as fotografias recebidas são avaliadas através de quatro elementos decisivos. Factores técnicos, factores de composição, factores emocionais e factores narrativos. Terminado o período de pré-selecção, as imagens finalistas serão novamente analisadas, para a seleção final pelos jurados. Será enviado um e-mail a todos os participantes selecionados, informando-os do resultado da sua apresentação.

CONDIÇÕES E LICENÇAS

Todos os participantes no open call, assumem que as imagens e os projectos apresentados são da sua autoria e que não houve qualquer violação dos direitos de autor. A COFI não se responsabiliza por qualquer violação de direitos que possa surgir durante o processo de seleção e posterior exibição de qualquer imagem. O participante é responsável por obter, antes da apresentação da fotografia, todas e quaisquer autorizações e consentimentos necessários para permitir a exposição e utilização da fotografia. Os projectos serão avaliados por um júri profissional e relevante no domínio do tema, sem qualquer tipo de influência e sem dados do autor. A decisão do júri não será suscetível de recurso e terá carácter definitivo.

DIREITOS DE AUTOR E UTILIZAÇÃO

Os direitos de autor das fotografias pertencem exclusivamente e em qualquer altura ao fotógrafo. As fotografias serão utilizadas estritamente em relação ao Festival Impacto. É concedido à COFI, seus parceiros e patrocinadores o direito de publicar e exibir as fotografias selecionadas e posterior promoção nas suas redes sociais, salvaguardando sempre a autoria e os direitos de autor.

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