Festival Impacto

O Open Call de Curta-Metragem Documental “Ética na Globalização” integra a programação da 2.ª edição do Festival Impacto, dedicada ao tema Ética, e afirma-se como um veículo de reflexão crítica e intervenção cultural sobre as estruturas que moldam o mundo contemporâneo.

Missão

Este open call propõe-se como uma plataforma de investigação visual, onde o cinema documental funciona como instrumento de análise das dinâmicas globais que influenciam decisões políticas, práticas económicas, relações culturais e equilíbrios ambientais. Ao integrar este prémio na programação do festival, reforçamos a ideia de que a ética não é um conceito abstrato, mas um campo de ação concreta, inscrito nas escolhas institucionais, nos sistemas económicos e nas vidas quotidianas. O documentário surge, assim, como meio privilegiado para revelar as conexões invisíveis entre decisões globais e impactos locais, entre políticas macroeconómicas e realidades humanas.

PRÉMIO PARA O MELHOR DOCUMENTÁRIO | EXBIÇÃO DURANTE O FESTIVAL IMPACTO | EXIBIÇÃO ITINERANTE EM 2027

ENQUADRAMENTO E TEMA

A globalização é frequentemente apresentada como inevitável e neutra. No entanto, ela estrutura mercados, condiciona políticas públicas, redefine culturas e impacta territórios de forma desigual.

ÉTICA NA GLOBALIZAÇÃO

convida cineastas, jornalistas e storytellers a investigar, através da curta-metragem documental, os dilemas éticos que atravessam a economia global, as cadeias de produção, os sistemas institucionais e as dinâmicas culturais contemporâneas. Procuram-se obras que analisem estas realidades com rigor, equilíbrio e sensibilidade humana, capazes de iluminar zonas de tensão e complexidade ética.

MANIFESTO DO CURADOR

Que responsabilidades devemos ter num mundo cada vez mais global e interligado?
A de estar atento será certamente uma delas. Nas nossas mãos está essa decisão mas também está um telemóvel, que nos parece querer radicalizar, banalizando o mal ou ampliando o ruído, criando mais confusão.

Empresas multimilionárias, que parecem entidades de ficção científica detidas por personagens obscuras, influenciam diariamente o que os nossos filhos consomem, sentados ao nosso lado no sofá. Isto é a globalização: uma enorme corrente de energia, informação e poder que nos exige mais sentido crítico e maior envolvimento.

Num mundo mais pequeno, culturas diferentes cruzam-se com maior intensidade. E quanto mais nos cruzamos, mais divergimos, nos valores, crenças e hábitos. A proximidade não elimina o conflito; torna-o mais visível. A globalização é inevitável e, no essencial, vejo-a como positiva, um passo natural na evolução humana, um movimento que nos obriga a procurar uma linguagem moral comum. Não é simples, mas não será impossível se nos sobrar em empatia, elemento natural de aproximação.

A ética na era da globalização, exige uma nova escala de consciência. Não basta olhar apenas para dentro das nossas portas. O que acontece “na casa do vizinho” está no nosso feed, na nossa economia, no nosso dia a dia. Neste contexto, de media hiper acelerada, que melhor formato podemos ter do que o documental, para nos fazer parar por instantes e reflectir sobre temas tão desconfortáveis quanto inevitáveis?
São as histórias que nos podem ligar e colocar no lugar do outro, criando uma nova perspectiva.

A minha motivação ao pensar neste júri foi reunir pessoas diferentes que admiro por serem únicas, nas quais reconheço sensibilidade e sentido crítico, olhares honestos e desempoeirados, para que possam avaliar com maior contraste o trabalho a concurso e eleger um vencedor justo.

Acredito mais na bondade do ser humano do que na sua maldade – que por momentos parece ganhar terreno – mas são certamente mais os justos do que os injustos, mais os que cuidam do que os que destratam. Há um despertar, também ele resultado da globalização. Já não estamos tão separados ou talvez já não seja possível separar-nos por muito mais tempo.

Miguel Coimbra

Miguel Coimbra preferiu estudar design quando percebeu que os prazos da arquitetura não seriam compatíveis com a sua personalidade impaciente. Para terminar a universidade, precisou de trabalhar, o que o levou a descobrir a publicidade, onde se apaixonou pelo ambiente acelerado das ideias e das marcas. Criativo e diretor de arte na DMB&B, Z., JWT, TBWA e BBDO, e diretor criativo na MKT, conquistou vários prémios em festivais internacionais, como Eurobest, Clio Awards, Art Directors Club, One Show e Festival de Cannes, com dois Leões.

Em 2004 começa a realizar na produtora Ministério, passa pela Takeiteasy e, em 2020, cria a el-Hey – creative production studio. Dezenas de marcas, campanhas e filmes depois, continua a sentir a mesma paixão sempre que tem uma folha em branco à frente. É fundador da marca de mobiliário ZERODOIS e pai de quatro filhos.

Susana Chasse é Mestre em Design Visual no I.A.D.E com o tema "Desenho como Meditação. O Olhar que Contempla” o “desenho escrito” disseca o centro intelectual desta existência, entre artigos, reflexões e tese. O “desenho falado” acontece em palestras, colóquios, congressos, workshops e em aula como professora de desenho de modelo e de autor. A direcção de arte na publicidade e o design gráfico proporcionaram a criatividade dentro da ideia de equipa e estratégia de pensamento. A pintura e o desenho são a constante desde inicio neste caminho, são onde tudo se reúne, é terreno alimentado por todas as experiencias passadas. É como artista plástica, autora, que materializa desde sempre tudo o que é presente até ao presente. Representada pela galeria São Mamede em Lisboa e Porto e Galeria Sete em Coimbra, expõe regularmente individual e colectivamente, em Portugal e Internacionalmente. Os prémios de pintura e desenho vão pontuando o seu caminho como forma de materializar momentos.

Pedro Farto é criativo, copywriter e designer de branding e packaging, com experiência também em videografia e fotografia. Com um percurso de cerca de 30 anos na indústria cervejeira, desenvolveu maioritariamente projetos na área do design below the line, packaging e processos de rebranding para marcas de cerveja e refrigerantes, consolidando uma abordagem estratégica e consistente à construção de marcas. Actualmente exerce funções como Gestor de Imagem na Empresa de Cervejas da Madeira, onde, para além da gestão da identidade visual das marcas, participa ativamente no desenvolvimento criativo de campanhas publicitárias e ações promocionais. Paralelamente, desenvolve actividade como freelancer em projetos de branding, identidade e design, colaborando com diversas marcas e empresas na Ilha da Madeira e em Lisboa.

Ana Moutinho é Gestora de investigação e professora de políticas de ciência no ISEG, a escola de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa. Doutorada em Biologia Celular, deixou a bancada para ser jornalista de ciência. Acredita no poder das narrativas para construir futuros melhores.

Laurinda Alves é autora, colunista, jornalista e professora de Comunicação, Liderança e Ética. Jornalista e Grande Repórter na RTP, autora e apresentadora de programas na SIC, colunista no jornal Independente e, mais tarde, no jornal Público. Foi diretora da revista Pais & Filhos, criou e dirigiu a revista XIS. Foi curadora e manager do “Dialogue Cafe”, na Fundação Calouste Gulbenkian, projeto de criação e partilha de conhecimento global, feito em parceria com as Nações Unidas – Aliança das Civilizações e a Cisco. Autora e entrevistadora de programas na Rádio Observador, foi colunista semanal no jornal Observador. Professora de Comunicação e Liderança no Leadership Lab da Universidade Católica, foi depois Professora de Comunicação, Liderança & Ética na Nova SBE, entre 2011 e 2021. Foi Vereadora na CML – Câmara Municipal de Lisboa, com pelouros da Cidadania e Direitos Humanos e Sociais, entre outros. Foi Diretora Executiva das Conferências do Estoril e Diretora Executiva das áreas de Inclusão & Diversidade, ambas na Nova School of Business & Economics. Publicou 9 livros, ganhou o Prémio Gazeta de Jornalismo em 1991, foi condecorada com a Comenda da Ordem do Mérito em 2000, atribuída pelo debate e defesa das questões educativas, é voluntária em Cuidados Paliativos e na Associação Salvador, foi co-fundadora da Academia do Johnson e dá formações na área da Comunicação e Liderança em empresas desde 1990. Integrou o júri de cinema do ICA para longas, curtas e curtíssimas metragens e também foi júri do Indie Lisboa. Licenciatura e Mestrado em Comunicação Social, pela Universidade Nova de Lisboa.

Tomás Magalhães é Físico, Mestre em Nanotecnologia pela TU Delft, e um empreendedor na área do impacto social. Em 2017 fundou o Kolkata Relief, projecto que apoia os sem-abrigo e slum-dwellers de Calcutá. Em 2020 fundou o Despolariza: um espaço, podcast, e canal de Youtube onde podemos aprender a discordar com mais ciência, amor e humor. Já escreveu e realizou vários telediscos e anúncios, e um dia vai morrer.

Ricardo Adolfo nasceu em Luanda em 1974. Viveu nos arredores de Lisboa, em Macau, em Londres e em Amesterdão. De momento, vive e trabalha em Tóquio e divide o seu tempo entre a direcção criativa em publicidade e a escrita. Publicou, entre outros romances, Mizé — Antes galdéria do que normal e remediada, Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas, Maria dos Canos Serrados, e mais recentemente A Chefe dos Maus. Para o cinema e a televisão, escreveu São Jorge, Sara e Great Yarmouth, todos premiados em festivais nacionais e internacionais. Estreou-se no teatro com “Garagem, o nosso sonho”, uma comissão do PANOS/Teatro Nacional D. Maria II. A sua obra está publicada de Portugal ao Japão.

Andreia Ribeiro é diretora criativa em publicidade e autora dos livros Camaleão Simão e Lisboa Divertida. Foi distinguida nos Novos Talentos FNAC, na categoria de Escrita, e participa regularmente como jurada em festivais de criatividade nacionais e internacionais.

Marco Espírito Santo é um artista multidisciplinar dedicado principalmente à escrita, à realização de filmes de publicidade e cinema documental e à fotografia. Nasceu em Londres, cresceu em Lisboa, e frequentou a Pace University em Nova Iorque, onde ganhou o prémio de poesia Sarah Willis aos 19 anos. Completou o curso de cinema da London Film School, onde produziu a curta-metragem Phobia do colega Ciro Altabas, selecionada para o Festival de Cinema de Veneza e vencedora de múltiplos prémios no circuito internacional de festivais. Integrou a equipa da produtora Buena Onda, de Donald K. Ranvaud (produtor de Central do Brasil e Cidade de Deus), contribuindo no desenvolvimento de obras como “The Constant Gardener” de Fernando Meirelles e Cidade Baixa de Sérgio Machado, entre outras. Iniciou-se na realização com a produtora Pulse Films, trabalhando marcas como a Greenpeace, British Airways e MTV, enquanto traçava em paralelo o seu caminho no cinema de autor, levando-o a ser selecionado para o programa de jovens talentos Berlinale Talents do Festival de Cinema de Berlim. As suas curtas-metragens documentais e de ficção, selecionadas e premiadas em festivais como Clermont-Ferrand, London Short Film Festival, IDFA e Tampere Film Festival, são também frequentemente reconhecidas por sites de curadoria de vídeo como Nowness, BooooooomTV e Vimeo Staff Picks. É co-fundador do estúdio criativo La Push, representado pela produtora Londrina Black Dog Films de Ridley Scott.

Diogo Mello é Publicitário, Designer e Empresário. Liderou equipes de criação de algumas das mais importantes e admiradas agências do mundo em mercados globais como Nova Iorque, Londres, Rio, Lisboa ou São Paulo, ajudando a construir marcas como Heineken, Amazon, Nissan, ESPN, PepsiCo entre várias outras. Eleito “Creative Director of the Year” por 3 vezes na Europa e América Latina, conquistou mais de 280 prêmios internacionais, incluindo 21 Leões no Festival de Cannes. Em 2015 deixou o cargo de ECD da cultuada DM9 no Brasil para dedicar-se à sua própria marca de cervejas, posteriormente adquirida pelo 3º maior grupo de bebidas da América Latina, do qual se tornou consultor. Em 2024 fundou a @ThoseWhoFly_ uma consultoria de Design, Comunicação & Estratégia que desenvolve projetos para marcas e empresas no Brasil e Europa.

PROCESSO DE SELEÇÃO

Todos os documentários recebidos são avaliados através de quatro elementos decisivos. Factores técnicos, factores de composição, factores emocionais e factores narrativos. Terminado o período de pré-selecção, os documentários finalistas serão novamente analisados, para a seleção final pelos jurados. As obras serão avaliadas por um júri profissional e relevante no domínio da cinema ou cultura, sem qualquer tipo de influência e sem dados do autor. A decisão do júri não será suscetível de recurso e terá carácter definitivo. Será enviado um e-mail a todos os participantes selecionados, informando-os do resultado da sua apresentação.

CONDIÇÕES E LICENÇAS

Todos os participantes no Festival Impacto, em virtude da sua candidatura, declaram que os documentários apresentados são da sua autoria e que não houve qualquer violação dos direitos de autor. A COFI não se responsabiliza por qualquer violação de direitos que possa surgir durante o processo de seleção e posterior exibição de qualquer imagem. O participante é responsável por obter, antes da candidatura, todas e quaisquer autorizações e consentimentos necessários para permitir a sua exibição.

DIREITOS DE AUTOR E UTILIZAÇÃO

Os direitos de autor dos documentários apresentados em candidatura a este open call, pertencem exclusivamente e em qualquer altura ao candidato. As obras serão utilizadas estritamente em relação ao âmbito Festival Impacto e não serão utilizadas para outros fins. Os participantes comprometem-se a ceder ao Festival Impacto (COFI) o direito de exibir, publicar ou reproduzir parte ou a totalidade das obras até dezembro de 2027. Os participantes são responsáveis pela utilização não autorizada de imagens ou músicas de terceiros nos seus filmes. Todos e quaisquer ônus por problemas de direitos autorais recairão exclusivamente sobre os participantes inscritos.

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