Ética no desenvolvimento global: Repensar o poder e a responsabilidade
27 de fevereiro, 2026 | 18h15 | Fórum Fnac Chiado
Num mundo marcado por desigualdades estruturais e interdependências profundas, o desenvolvimento global deixou de ser apenas uma questão técnica. É, antes de tudo, uma questão ética. Quem define o que é progresso? Quem estabelece prioridades? E quem suporta as consequências dessas decisões?
Ao abrir o ciclo de conversas do Festival Impacto com este tema, partimos daquilo que estrutura muitos dos dilemas contemporâneos: a arquitetura global do poder.
O desenvolvimento é o ponto de intersecção entre política, economia, ambiente, tecnologia e direitos humanos. É o espaço onde decisões tomadas num contexto produzem efeitos noutro frequentemente sem simetria de voz, responsabilidade ou benefício. Começar aqui é começar pela base: pelas estruturas que moldam narrativas, distribuem recursos e condicionam futuros.
Esta conversa propõe uma análise crítica das políticas de desenvolvimento e da ajuda internacional, interrogando as relações de poder que as sustentam e as tensões éticas entre eficácia, legitimidade e justiça. Entre instituições multilaterais, governos, organizações da sociedade civil e comunidades locais, onde começa e termina a responsabilidade? Como medir impacto para além de indicadores formais? E de que forma podemos recentrar o desenvolvimento nas pessoas, nos contextos e nas gerações futuras?
Mais do que identificar falhas, esta sessão estabelece o enquadramento conceptual do festival: uma lente crítica para pensar responsabilidade e transformação estrutural.
Porque o impacto não começa nos resultados, começa nas decisões que organizam o mundo.
Oradores
Luís Mah é professor auxiliar no Departamento de Economia Política do Instituto Universitário ISCTE de Lisboa e diretor do Mestrado em Estudos do Desenvolvimento. O ensino, a investigação e o seu trabalho profissional têm-se focado nas áreas do desenvolvimento global e da ajuda humanitária. Tem trabalhado regularmente com organizações da sociedade civil nacionais e internacionais e liderou a Campanha do Milénio das Nações Unidas (UNMC) em Portugal entre 2007-2011. É um dos fundadores da Oficina Global, uma iniciativa de investigação destinada a ajudar atores da sociedade civil a navegar a transformação turbulenta e desafiante da ordem global nas duas últimas décadas. Tem um doutoramento em Estudos de Desenvolvimento pela LSE-London School of Economics and Political Science, um mestrado em Ciência Política pela Universidade de Yonsei e uma licenciatura em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa.
Susana Réfega é Professora Convidada em vários Mestrados e pós-graduações no ISEG, UCP e ISCTE no âmbito de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. Integra a iniciativa de investigação-ação Oficina Global no CESA – Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento ( ISEG). Ao longo dos últimos vinte anos tem assumido cargos de liderança em várias organizações da sociedade civil nomeadamente no Movimento Global Laudato Si, Fundação Fé e Cooperação e Plataforma Portuguesa de ONGDs. Mestre em Desenvolvimento, Cooperação Internacional e Ajuda Humanitária pela Faculdade de Ciências Políticas da Universidade Pantheon – Sorbonne de Paris e Doutorada em Biologia Celular e Molecular pela Universidade Réne Descartes de Paris.
Catarina Rodrigues Marques é Head of Innovation no Grupo Semapa. Foi CEO do MOVE, uma organização não- governamental que capacita empreendedores em comunidades de São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Açores, trabalho pelo qual foi distinguida pela Comissão Europeia na lista Top 100 Women in Social Enterprise 2023. É licenciada em Relações Internacionais, estudou Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, e é Mestre em Gestão pela Católica Lisbon School of Business & Economics, onde foi professora assistente da cadeira de Lean Entrepreneurship.
Tcherno Amadú Baldé é licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e mestre em Desenvolvimento e Cooperação Internacional pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG Universidade de Lisboa). É atualmente doutorando em Estudos de Desenvolvimento no ISEG, onde investiga a localização da ajuda ao desenvolvimento e as relações de poder entre ONG internacionais e nacionais na Guiné-Bissau. Foi recentemente distinguido com o Prémio António Brandão Vasconcelos, que reconhece percursos académicos e profissionais de mérito. Desenvolve trabalho direto com a comunidade da Guiné-Bissau em Portugal e é um dos coordenadores das Escolas Ubuntu, um projeto do Instituto Padre António Vieira (IPAV) centrado na educação para a liderança, cidadania ativa e transformação social.
Curadoria por
Sebastião Malheiro da Silva, iniciou recentemente o seu percurso profissional, tendo estagiado na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e no North-South Centre do Conselho da Europa em Lisboa. Mestre em Direitos Humanos e Democratização pelo Global Campus of Human Rights realizado em Veneza e Brno. Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa em Lisboa. É também Pós-Graduado em Gestão de Projetos de Cooperação para o Desenvolvimento pela Universidade Católica Portuguesa e em Direito Internacional Humanitário e Direitos Humanos em Situações de Conflito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e pelo Instituto de Defesa Nacional.
Inês Tomaz é licenciada em Gestão pela Nova SBE e mestre em Estudos de Desenvolvimento pelo ISCTE-IUL. Tem experiência profissional em contextos internacionais de cooperação para o desenvolvimento e ajuda humanitária, com especial foco na igualdade de género e empoderamento feminino, proteção da criança, direitos humanos e desenvolvimento comunitário. Trabalhou em Portugal como gestora de projetos numa start-up de investigação aplicada aos direitos humanos e como assistente de programa na G4G Portugal, associação dedicada à promoção da liderança e mentoria feminina. Trabalhou também na Bolívia com a Médicos del Mundo, enquanto voluntária da União Europeia, com funções de apoio administrativo e financeiro. Desde 2017, desenvolveu uma experiência consistente de terreno em Moçambique, nomeadamente na Beira, onde trabalhou como assistente à coordenação de projeto numa instituição de acolhimento temporário de crianças vulneráveis. Nesse contexto, concebeu um projeto de empoderamento e educação não-formal de mulheres adultas, tema da sua tese de mestrado. Em 2026, inicia funções como Técnica de Ação Humanitária em Valência, Espanha, dando continuidade ao seu percurso profissional.
Guilherme de Lidon Guerra é Presidente e Fundador da Associação Académica de Ciências Políticas e Económicas, uma organização dedicada a promover a educação política e económica nos jovens em Portugal. É formado em Relações Internacionais e Políticas Públicas pela Universidade Nova de Lisboa, tendo feito Erasmus na Sciences Po Paris. Em 2022, publica o seu primeiro livro de Poesia intitulado Sombra Chama, editado pela Húmus. Às relações internacionais e poesia, acrescentam-se a ciência, a fotografia e a economia, um mix improvável, mas fundamental para construir os alicerces geracionais do futuro.
Moderador
Miguel Meneses é editor e argumentista. Com quase 30 anos de experiência no universo editorial, à frente do jornal local Notícias do Parque há 23 anos. Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, teve experiência como observador do Ministério dos Negócios Estrangeiros, incluindo uma passagem marcante pela ex Jugoslávia. Paralelamente, colabora em projetos de fotografia, vídeo e ficção para cinema e televisão, enquanto escritor e ator, mantendo viva a paixão pelas histórias e personagens que cultiva desde a infância.
Parceiros
HOSPITALIDADE_FNAC estes encontros mensais na FNAC Chiado, de fevereiro a julho, funcionam como um ritual de investigação, um espaço onde o ADN do festival é gradualmente desvendado. Mais do que um prelúdio, são um mergulho profundo nas questões éticas que moldam o nosso tempo. Um convite para pensar, questionar e co-criar. É aqui que o festival começa, não como um evento, mas como um movimento.