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Edição 2026 · Agenda

IA. Entre as intenções humanas e a autonomia das máquinas

27 de março, 2026 · 18h15 · Fórum Fnac Chiado

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Nesta conversa, colocamos no centro do debate uma das questões estruturais do século XXI: até que ponto a autonomia crescente das máquinas está a redefinir o papel humano na decisão, na responsabilidade e no exercício do poder. A inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta de apoio; é um sistema que aprende, recomenda, prioriza e, em muitos contextos, decide. Esta transformação atravessa a ciência, a economia, a administração pública, a segurança e as relações internacionais, alterando a forma como produzimos conhecimento, gerimos risco e estruturamos instituições.A discussão percorrerá múltiplas dimensões complementares. No plano tecnológico, importa compreender o que significa desenvolver sistemas autónomos capazes de interagir socialmente e colaborar com humanos. No plano ético e social, analisam-se os impactos na confiança, na transparência e nas desigualdades, bem como os riscos associados a tecnologias de vigilância e à normalização de decisões algorítmicas. No domínio jurídico e regulatório, questiona-se como enquadrar a inovação sem comprometer direitos fundamentais, garantindo mecanismos eficazes de responsabilização e supervisão. Já na vertente da cibersegurança e da soberania digital, discute-se como a IA amplia simultaneamente capacidades defensivas e ofensivas, influenciando o equilíbrio estratégico entre Estados e organizações.Num contexto geopolítico marcado por competição tecnológica e redefinição de lideranças globais, esta conversa propõe uma reflexão transversal: como equilibrar eficiência, inovação e poder com responsabilidade, justiça e valores humanos? Que modelo de governação pode assegurar que a autonomia tecnológica permaneça subordinada a princípios democráticos? Mais do que antecipar cenários futuristas, o objetivo é discutir escolhas concretas que determinarão a arquitetura ética, política e estratégica da sociedade digital.

Oradores

  • David Russo

    é Diretor da Academia Nacional de Cibersegurança. Investigador no Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar. Engenheiro licenciado e mestre pelo Instituto Superior Técnico. Docente em instituições como a Universidade Lusófona, IPLuso, ESCAD, Instituto Superior Técnico, Universidade Europeia e ISLA Santarém, leciona unidades curriculares nas áreas da segurança da informação, cibersegurança industrial, sistemas operativos, infraestruturas e redes. É Diretor dos cursos “Cibersegurança para Gestores” e “Blockchain, Criptoeconomia e Inovação Tecnológica” na Lusófona Executive School.Especialista em Offensive Hacking e Cibersegurança Industrial, possui certificações da Homeland Security dos Estados Unidos da América e da EC-Council, incluindo CEH. CTO e Co-Fundador da CyberS3C.

  • Ana Paiva

    é Professora Catedrática de Inteligência Artificial no Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e investigadora sénior no INESC-ID. É também Fellow no Radcliffe Institute for Advanced Study, Harvard University. Com mais de três décadas de investigação em Inteligência Artificial, dedica-se à criação de agentes autónomos e robôs capazes de interagir e colaborar com seres humanos. Fundou em 2000 o GAIPS (Group on AI for People and Society), um dos principais grupos internacionais em Inteligência Artificial Social. Publicou mais de 300 artigos em conferências e revistas de referência, recebeu diversos prémios científicos, incluindo o AAAI Blue Sky Paper Award em 2018, e é Fellow da AAAI, EurAI e ELLIS.Foi reconhecida internacionalmente pelo Women in Robotics como uma das 50 mulheres a conhecer na área e participou em múltiplos conselhos científicos e consultivos, incluindo o World Economic Forum e EurAI. Entre 2022 e 2024 foi WASP Guest Professor na Suécia e, em 2024, desempenhou funções como Secretária de Estado da Ciência no XXIV Governo Português.

  • Adolfo Mesquita Nunes

    é licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa e mestre em Direito e Ciências Políticas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É sócio da Pérez-Llorca Sociedade de Advogados, onde coordena o Departamento de Direito Público e Regulatório. Nos últimos anos, tem-se dedicado aos temas de compliance nos mercados digitais e, agora, em particular ao relativo à inteligência artificial. Autor de “A Grande Escolha” e de “Algoritmocracia” assim como de artigos académicos na sua área de especialidade, nomeadamente sobre o impacto do Regulamento Europeu da Inteligência Artificial na Administração Pública. É professor auxiliar convidado na Nova SBE, na Nova School of Law e é árbitro de Direito Público no CAAD – Centro de Arbitragem Administrativa. Anteriormente integrou os Governos XIX e XX enquanto Secretário de Estado do Turismo, entre fevereiro de 2013 e novembro de 2015, tendo igualmente sido deputado do Parlamento português de junho de 2011 a fevereiro de 2013.

  • Helena Machado

    é Investigadora Coordenadora no CIES-Iscte, Instituto Universitário de Lisboa e Investigadora Visitante no Centre for Research on Bioethics, Universidade de Uppsala, Suécia. Investiga como infraestruturas e tecnologias emergentes reconfiguram direitos, desigualdades e mecanismos de responsabilização e aborda questões de governação, regulação e participação pública em IA. Atualmente, coordena o projeto fAIces, financiado por uma Advanced Grant do Conselho Europeu de Investigação, que aborda as implicações sociais, éticas e políticas de tecnologias de reconhecimento facial. No conjunto das suas públicações mais recentes, destacam-se os livros (em coautoria com Susana Silva), Ethical Assemblages of Artificial Intelligence (Palgrave, 2025) e Desafios Sociais e Éticos da Inteligência Artificial no séc. XXI (UMinho Editora).

  • Sérgio Silva

    é investigador no Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar Portuguesa, na área da inteligência artificial. Doutorando em Cibersegurança no Instituto Universitário Militar, com Mestrado em Segurança da Informação pelo Instituto Superior Técnico, Escola Naval e Faculdade de Direito. Possui certificações internacionais do EC Council e é formador oficial da EXIN. Leciona em várias instituições de ensino superior e exerce funções de CISO, colaborando também em projetos do Banco Mundial em África. CEO da CYBERS3C.

Curadoria

  • Sebastião Malheiro da

    Silva, iniciou recentemente o seu percurso profissional, tendo estagiado na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e no North-South Centre do Conselho da Europa em Lisboa. Mestre em Direitos Humanos e Democratização pelo Global Campus of Human Rights realizado em Veneza e Brno. Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa em Lisboa. É também Pós-Graduado em Gestão de Projetos de Cooperação para o Desenvolvimento pela Universidade Católica Portuguesa e em Direito Internacional Humanitário e Direitos Humanos em Situações de Conflito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e pelo Instituto de Defesa Nacional.

  • Inês Tomaz

    é licenciada em Gestão pela Nova SBE e mestre em Estudos de Desenvolvimento pelo ISCTE-IUL. Tem experiência profissional em contextos internacionais de cooperação para o desenvolvimento e ajuda humanitária, com especial foco na igualdade de género e empoderamento feminino, proteção da criança, direitos humanos e desenvolvimento comunitário. Trabalhou em Portugal como gestora de projetos numa start-up de investigação aplicada aos direitos humanos e como assistente de programa na G4G Portugal, associação dedicada à promoção da liderança e mentoria feminina. Trabalhou também na Bolívia com a Médicos del Mundo, enquanto voluntária da União Europeia, com funções de apoio administrativo e financeiro. Desde 2017, desenvolveu uma experiência consistente de terreno em Moçambique, nomeadamente na Beira, onde trabalhou como assistente à coordenação de projeto numa instituição de acolhimento temporário de crianças vulneráveis. Nesse contexto, concebeu um projeto de empoderamento e educação não-formal de mulheres adultas, tema da sua tese de mestrado. Em 2026, inicia funções como Técnica de Ação Humanitária em Valência, Espanha, dando continuidade ao seu percurso profissional.

  • Guilherme de Lidon Guerra

    é Presidente e Fundador da Associação Académica de Ciências Políticas e Económicas, uma organização dedicada a promover a educação política e económica nos jovens em Portugal. É formado em Relações Internacionais e Políticas Públicas pela Universidade Nova de Lisboa, tendo feito Erasmus na Sciences Po Paris. Em 2022, publica o seu primeiro livro de Poesia intitulado Sombra Chama, editado pela Húmus. Às relações internacionais e poesia, acrescentam-se a ciência, a fotografia e a economia, um mix improvável, mas fundamental para construir os alicerces geracionais do futuro.

Moderação

  • Miguel Meneses

    é editor e argumentista. Com quase 30 anos de experiência no universo editorial, à frente do jornal local Notícias do Parque há 23 anos. Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, teve experiência como observador do Ministério dos Negócios Estrangeiros, incluindo uma passagem marcante pela ex Jugoslávia. Paralelamente, colabora em projetos de fotografia, vídeo e ficção para cinema e televisão, enquanto escritor e ator, mantendo viva a paixão pelas histórias e personagens que cultiva desde a infância.

Participação e colaboração

Curadoria: Sebastião Malheiro da Silva, Inês Tomaz e Guilherme Lidon Guerra

Moderação: Miguel Meneses

Parceiro de hospitalidade: Fnac Chiado

Registo fotográfico: Susana Chasse

Registo vídeo: Francisco Carmona

Parceiro de design e identidade gráfica: Smart Assets

Parceiros

  • Logótipo Fnac
  • Logótipo The Garden People

HOSPITALIDADE_FNAC estes encontros mensais na FNAC Chiado, de fevereiro a julho, funcionam como um ritual de investigação, um espaço onde o ADN do festival é gradualmente desvendado. Mais do que um prelúdio, são um mergulho profundo nas questões éticas que moldam o nosso tempo. Um convite para pensar, questionar e co-criar. É aqui que o festival começa, não como um evento, mas como um movimento.

THE GARDEN PEOPLE junta-se ao Festival Impacto como parceiro ao oferecer sementes para os gift bags do evento. Este gesto simples carrega uma forte simbologia: tal como uma semente precisa de cuidado para crescer, também as ideias precisam de espaço, inspiração e comunidade para florescer. Com este gesto The Garden People ajuda a materializar o espírito do Festival Impacto, um encontro que pretende semear novas perspectivas, incentivar a ação e cultivar mudanças positivas.